Tyrannus

O gênero Tyrannus reúne pássaros migratórios que vivem em áreas semi-abertas nas bordas de vegetação, frequentemente nas cidades, muitas vezes nas proximidades de água doce. Sua alimentação é essencialmente insetivora e parcialmente frugívora. Perseguem revoadas de insetos alados a partir de poleiros abertos. Devido a seus hábitos alimentares evitam zonas frias, migrando durante o inverno austral em direção ao norte, rumo ao Equador, já que diminuem os insetos disponíveis nesses períodos. Algumas espécies do Hemisfério Norte, migram durante o inverno boreal para as regiões quentes do Hemisfério Sul.

Tyrannus albogularis - suiriri-de-garganta-branca

O suiriri-de-garganta-branca apresenta o amarelo da barriga mais claro, um branco puro em toda garganta que se estende até o peito e passa para o amarelo em degradê, uma máscara negra bem demarcada e mais evidente. O píleo é amarelo.(observação de Flávio Ubaid)

Ocorre nos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Bahia, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Piauí, Rondônia, Roraima, São Paulo, Tocantins e Distrito Federal

Tyrannus dominicensis - suiriri-cinza

O suiriri-cinza ocorre nos estados do Amapá e Roraima

Tyrannus melancholicus - suiriri

O suiriri apresenta abaixo do cinza, as penas do alto da cabeça são quase vermelhas, uma característica visível só quando eriçam o topete em suas disputas territoriais. O canto mais emitido é uma forte risada aguda, responsável pelo nome comum. Pode ser confundido com suiriri-de-garganta-branca (T. albogularis) e uma característica que pode facilmente distingui-lo do T. albogularis é os tons cinzas “encardidos” invadindo o amarelo do peito. Costuma ficar pousado em poleiros expostos, seja na parte alta da mata, seja em arbustos. Usa também fios, cercas e estruturas criadas pela ação humana.

Vive solitário ou em casais, muito agressivos entre si. Vivem em grupos de até duas dezenas de suiriris podem ser vistos empoleirando-se próximos, algumas vezes juntos à tesourinhas. Durante o dia, fluxos constantes de suiriris voando na mesma direção a poucos metros das copas podem ser notados. Chama a atenção pela pequena distância entre si e a continuidade do movimento, às vezes por 30 ou 40 minutos, com 2 ou 3 aves de cada vez. Cantam freqüentemente do final madrugada ao início da noite, geralmente pousados em fios, antenas, mourões de cerca ou nos galhos mais altos das árvores, o que amplia seu campo de visão para a captura de insetos, defesa da prole, etc.

Ocorre em todo o Brasil e desde os Estados Unidos à quase toda a América do Sul (Sick,1997). É uma espécie muito observada no estado de Santa Catarina entre setembro e começo de abril, época em que ocorre sua nidificação (dezembro/janeiro). Algumas populações migratórias possuem asas mais pontudas, o que pode ser explicado como uma adaptação para vôos longos (Sick, 1997).

Tyrannus savana - tesourinha

A tesourinha apesar de não ser colorida, a leveza e graça do vôo, bem como a distribuição de cores são muito chamativas. O capuz é negro e apresenta no meio do píleo uma coloração amarela, na maioria das vezes escondido, distingui-se contra a gargantas e partes inferiores brancas. Dorso cinza uniforme, com destaque para a longa cauda. Mais comprida nos machos, diferença visível quando as aves estão próximas, é maior do que o próprio corpo. O formato de origina os nomes comuns. Há um discreto dimorfismo sexual (termo usado para designar diferenças na aparência de machos e fêmeas), sendo que os machos possuem um prolongamento grande da cauda, especialmente das duas penas mais externas. Sua voz, com as cerimônias: “tzig” (chamada), seqüência apressada “tzig-tzig-zizizi…ag, ag, ag, ag” (canto) que emite pousado ou em vôo, deixando-se cair em espiral, com a cauda largamente aberta e a posição das asas lembrando um para-quedas.

Apesar de migrarem em grupos, em setembro os machos já estão exibindo seu característico vôo territorial, pairando em espirais com asas e cauda abertos, ao mesmo tempo em que emite o canto longo e rápido, terminado com três ou quatro notas mais espaçadas. Localmente, procuram as áreas abertas, como os cerrados (daí a razão do savana em seu nome científico), pastagens e áreas de cultura, onde ficam pousadas em mourões de cerca, postes, fios e árvores isoladas. Também podem procurar as matas, ou até mesmo cidades.

Talvez poucas aves conheçam melhor a América do Sul do que a tesourinha. Existem tesourinhas que vivem no sul (Argentina, Paraguai e extremo sul do Brasil), em várias outras partes do Brasil, no Caribe e no sul do México. Depois do verão, as tesourinhas migram aos milhares para a região da Amazônia, onde permanecem até o inverno acabar. No início da primavera, cada uma volta para a sua região de origem, onde vão reproduzir, criar os filhotes e começar tudo novamente no ano seguinte. Assim, as tesourinhas são muito abundantes nas regiões onde vivem, mas apenas em algumas épocas do ano. Em outras, desaparecem completamente.

Tyrannus tyrannus - suiriri-valente

O suiriri-valente ocorre nos estados do Acre, Amazonas, Bahia(de forma rara ou acidental), Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Rondônia, Roraima e São Paulo

Referências